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Legacy Survey of Space and Time

O projeto Legacy Survey of Space and Time (LSST), a ser realizado no Vera C. Rubin Observatory, localizado no Cerro Pachón, Chile (vídeo 1), iniciará sua operação em 2025 com o mapeamento em seis filtros de quase metade do céu, com atividades previstas até 2038.

Vídeo 1: Este vídeo, gravado com uma câmera de drone, mostra o Observatório Rubin ao pôr do sol em dezembro de 2023. Crédito: RubinObs/NSF/AURA/H. Stockebrand

O telescópio, que possui um espelho de 8,4 metros de diâmetro, utilizará a maior câmera digital já construída (figura 1 e 2). Com um campo de visada de quase 10 graus quadrados, o instrumento será capaz de mapear toda a região do céu à qual tem acesso em apenas algumas noites. Sua câmera consiste em um mosaico de dispositivos de carga acoplada (CCDs, Charge-Coupled Devices) com 3,2 bilhões de pixels (figura 3), e cada exposição cobre uma área correspondente a 40 vezes o tamanho da Lua cheia (figura 4).

O levantamento prevê que cada região do céu será visitada pelo menos 800 vezes, o que permitirá produzir imagens tão profundas quanto as obtidas pelo telescópio Hubble, porém cobrindo uma área de 20.000 graus quadrados. O impacto disso pode ser visto nas figuras 5 e 6, que mostra uma comparação entre uma exposição da mesma região do céu obtida pelo projeto Sloan Digital Sky Survey (SDSS), à direita, com a obtida pela Hyper Suprime-Cam, à esquerda — esta última com uma profundidade similar à do LSST após 10 anos de observação. Este exemplo ilustra o grande potencial de descoberta do projeto.

Figura 5: Esta imagem registra uma pequena região da visão do Observatório Vera C. Rubin (NSF–DOE) do Aglomerado de Virgem. Crédito: NSF–DOE Vera C. Rubin Observatory
Figura 6: Aglomerado de Virgem na visão do Sloan Digital Sky Survey.

A cada noite, serão acumulados entre 15 e 20 TB de dados, que deverão ser transmitidos a diferentes centros para processamento e análise. O sistema será o mais poderoso coletor de luz no espectro óptico, e a velocidade das observações fornecerá aos astrônomos, pela primeira vez, uma visão dinâmica do Universo, onde variações de posição ou brilho serão registradas em uma cadência de poucas noites. Estima-se que o LSST gerará cerca de 10 milhões de alertas de variabilidade por noite — os quais devem ser classificados — e os casos mais promissores serão acompanhados por outros telescópios.

Ao término de 10 anos, o levantamento terá obtido informações de 37 bilhões de estrelas e galáxias, explorando um volume de espaço sem precedentes e gerando aproximadamente 100 PB de dados em forma de catálogos. Esse projeto representa um grande desafio para a Tecnologia da Informação no gerenciamento de transferência, processamento, armazenamento e exploração científica de dados gerados de forma ininterrupta. Trata-se, portanto, de um problema de Big Data que está sendo enfrentado de forma sistemática pelo projeto, por meio de novas soluções em redes, processamento de alto desempenho e arquitetura de bancos de dados.

Com os dados acumulados, os cientistas poderão explorar o Sistema Solar, descobrir novos fenômenos, estudar a estrutura da Galáxia e a formação e evolução de estruturas no Universo em função do tempo cósmico. Os dados permitirão, também, determinar as propriedades da matéria e energia escuras que permeiam o Cosmos — sendo esta última a responsável pela expansão acelerada, confirmada independentemente em 1998 por duas equipes que receberam o Prêmio Nobel de Física de 2011.

Tendo em vista a ampla gama científica que pode ser extraída dos dados do LSST e o impacto significativo no estudo da matéria e energia escuras, o projeto é considerado prioritário, contando com o apoio do Departamento de Energia (DOE) do governo americano e da National Science Foundation (NSF). Esse suporte surgiu de iniciativas das comunidades de Astronomia e de Física de Altas Energias dos Estados Unidos, conforme manifestado nos planejamentos estratégicos New Worlds, New Horizons e Building for Discovery.

Repetindo o sucesso de outros marcos históricos (como o Palomar Sky Survey e o Sloan Digital Sky Survey), o LSST será um divisor de águas para diversas áreas. O impacto na Astronomia será incomensurável, não apenas pelo que pode ser descoberto diretamente, mas pela geração de amostras inéditas para estudos complementares em diferentes comprimentos de onda utilizando outros instrumentos.

BPG-LSST

A participação brasileira no projeto LSST se dá através do grupo de participação brasileira denominado BPG-LSST que consiste de 120 pesquisadores, dos quais 24 são seniores, 96 são estudantes e pós-docs de 26 instituições em nove estados brasileiros. Os pesquisadores do BPG foram selecionados por uma comissão constituída por pesquisadores de diversas instituições brasileiras. Abaixo são apresentadas as listas dos pesquisadores seniores e juniores

Principal investigator
Membro
Instituição
Nome: Altair Gomes
Instituição: UFU
Nome: Ana Leonor Chies-Santos
Instituição: UFRGS
Nome: Basílio Santiago
Instituição: UFRGS
Nome: Bruno Moraes
Instituição: UFRJ
Nome: Charles Bonato
Instituição: UFRGS
Nome: Clécio de Bom
Instituição: CBPF
Nome: Daniel de Oliveira
Instituição: UFF
Nome: Felipe Ribas
Instituição: UTFPR
Nome: Jaderson Schimoia
Instituição: UFSM
Nome: Julio Camargo
Instituição: ON
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Junior Assistant
Membro
Instituição
Nome: Amanda dos Santos
Instituição: CBPF
Nome: André Santos
Instituição: CBPF
Nome: Andreia Dourado
Instituição: UFRJ
Nome: Andressa Ferreira
Instituição: INPE
Nome: Andressa Wille
Instituição: UFRGS
Nome: Caio de Oliveira
Instituição: UEL
Nome: Camila Lopes
Instituição: UFF
Nome: Carlos Eduardo Falandes
Instituição: INPE
Nome: Carlos Melo Carneiro
Instituição: Shanghai Jiao Tong University
Nome: Chrystian Pereira
Instituição: ON
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