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A nova era da astronomia de domínio temporal: o fluxo de alertas do Observatório Vera Rubin e a integração de dados pelo LIneA User Query

27 de fevereiro de 2026
Creditos da imagem: NSF–DOE Rubin Observatory/NOIRLab/SLAC/AURA/W. O’Mullane

O Observatório Vera C. Rubin está prestes a redefinir a astronomia de domínio temporal com um fluxo de alertas sem precedentes, projetado para notificar a comunidade científica sobre mudanças dinâmicas no céu em questão de minutos. O processo de geração de alertas baseia-se na rápida subtração de imagens: uma imagem de referência mais antiga é subtraída de uma imagem científica recém-adquirida para produzir uma imagem de diferença altamente sensível. Qualquer fonte astronômica que apresente uma razão sinal-ruído (SNR) > 5 aciona instantaneamente um alerta automatizado. Esses arquivos contêm dados observacionais críticos, coordenadas celestes precisas, um histórico de detecções de 12 meses e pequenos recortes de imagens. Gerando até 10 milhões de alertas por noite, esse enorme fluxo de dados é público, eliminando a necessidade de direitos exclusivos de dados e capacitando astrônomos em todo o mundo a investigar eventos transitórios de forma contínua.

Com o início oficial da produção de alertas, a primeira onda de alertas será produzida usando apenas os Deep Drilling Fields (DDF) estabelecidos durante a fase de validação científica. Como o volume de 10 milhões de alertas noturnos é imenso para download individual direto, os dados são distribuídos para sistemas de software independentes conhecidos como alert brokers. Plataformas como ALeRCE, ANTARES, Fink, Lasair e Pitt-Google Broker processarão e servirão esses alertas diretamente à comunidade. Os cientistas podem acessar esses alertas por meio dos sites dos brokers e filtrar o fluxo massivo com base em suas áreas de pesquisa específicas. Os pesquisadores podem consultar os dados de forma contínua, fazendo cruzamentos com catálogos populares ou aplicando tags baseadas nas propriedades do alerta, como parâmetros de variabilidade.

A conexão brasileira: O espelho do Minor Planet Center e a ferramenta User Query do LIneA 

Para os pesquisadores do Sistema Solar, os resultados do processamento diário do Rubin, que incluem o rastreio de novas descobertas e as medições de objetos já catalogados, serão enviados diretamente ao Minor Planet Center (MPC). No Brasil, o acesso a essas informações é viabilizado pela infraestrutura do LIneA, que hospeda um espelho dedicado e de atualização contínua do MPC. Como o banco de dados global receberá as observações do LSST todos os dias, o espelho do LIneA garante acesso imediato aos catálogos mais recentes. Para otimizar a exploração científica, esse espelho foi totalmente integrado à ferramenta User Query do LIneA [https://userquery.linea.org.br/query/]. Dessa forma, a comunidade astronômica brasileira pode consultar e cruzar os dados orbitais de forma centralizada, utilizando tanto a interface web do User Query quanto requisições via serviços TAP (Table Access Protocol).

Com essa infraestrutura robusta e acesso facilitado aos dados, a comunidade astronômica brasileira está equipada para transformar o fluxo de alertas do Rubin em descobertas pioneiras e liderar o futuro da ciência do Sistema Solar.

O LIneA é um instituto de ciência e tecnologia privado cuja missão é viabilizar a participação de pesquisadores e estudantes em colaborações internacionais, apoiar centros emergentes, fornecer acesso a acervos de dados astronômicos e a uma infraestrutura de processamento intensivo de dados, e desenvolver soluções para problemas de big data nas áreas de astronomia e cosmologia. Atualmente as atividades do LIneA são apoiadas pela FINEP e pelo INCT do e-Universo.