A equipe do Observatório Vera C. Rubin anunciou hoje o início das atividades do projeto Legacy Survey of Space and Time (LSST), após 20 anos de dedicação ao desenvolvimento de ciência e engenharia, e após um ano da inauguração do observatório e de um extenso período de comissionamento, envolvendo testes e calibração. O anúncio, feito por meio de um comunicado de imprensa do Observatório Rubin, ressaltou a grandiosidade do projeto e as descobertas esperadas a partir do levantamento, que terá duração de 10 anos. A tradução do comunicado, feita pelo LIneA, está disponível neste link. A versão original em inglês pode ser acessada no site do NOIRLab, Rubin Observatory ou SLAC.

Créditos: NSF–DOE Vera C. Rubin Observatory/NOIRLab/SLAC/AURA
Capturando por volta de mil imagens todas as noites, o Rubin irá colaborar para o avanço da astronomia multimensageira, que é o estudo de eventos cósmicos utilizando múltiplos sinais provenientes da luz visível, ondas gravitacionais e raios cósmicos; observação de fenômenos transitórios, como explosões estelares, buracos negros; e colisões entre objetos compactos, além dos milhões de asteroides e cometas, já detectados durante o período inicial de otimização.
O mapeamento gerado pelo Rubin prevê, aproximadamente, dez terabytes de dados e até sete milhões de alertas de mudanças no céu noturno a cada noite, resultando em bilhões de objetos com trilhões de medições. Os dados obtidos pelo levantamento estarão disponíveis para cientistas e público em geral por meio de liberações regulares de dados, incentivando qualquer pessoa no mundo a se engajar e a explorar o Universo.
“Hoje, começamos a filmar o maior filme cósmico já feito”, diz Brian Stone, no exercício das funções de Diretor da NSF.
O Brasil participa por meio do LIneA
O Brasil integra esse esforço científico internacional por meio do LIneA – Laboratório Interinstitucional de e-Astronomia, responsável pela operação do IDAC-Brasil (Independent Data Access Center – Brazil), participando da rede internacional de centros de dados autorizados que formam o ecossistema Rubin.
O IDAC-BR constitui parte da contribuição in-kind brasileira ao Observatório Vera C. Rubin em troca da participação de mais de 100 pesquisadores brasileiros no projeto, com acesso a dados proprietários e colaborações científicas. O centro já disponibiliza à comunidade científica uma infraestrutura de armazenamento, processamento e análise de dados capaz de manter localmente uma réplica do gigantesco acervo produzido pelo LSST.
Mais do que armazenar os dados, o IDAC-BR permitirá que pesquisadores tenham acesso a recursos computacionais avançados para realizar análises científicas sem a necessidade de transferir petabytes de informações, aproximando a computação aos dados e democratizando o acesso à ciência de fronteira.
“O início das operações do LSST representa um marco histórico para a astronomia mundial. Pela primeira vez, teremos um registro contínuo, profundo e sistemático de todo o céu do hemisfério sul ao longo de uma década. O LIneA tem orgulho de contribuir para esse empreendimento operando a infraestrutura brasileira que permitirá aos pesquisadores participar plenamente dessa revolução científica”, afirma Luiz Nicolaci da Costa, Diretor-Geral do LIneA.
Agradecimentos: Este trabalho foi financiado pela FINEP e, paralelamente, pelo CNPq e pela FAPERJ, por intermédio do programa INCT do e-Universo.





