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Dados do EDP2 do projeto LSST chegam ao Brasil: IDAC-BR está pronto para a exploração do Universo

23 de outubro de 2026

Após a transferência bem-sucedida de mais de 50 TB de dados e a conclusão da etapa de curadoria, pesquisadores e estudantes com direitos de acesso já podem explorar o conjunto de dados EDP2 diretamente pelo LIneA Science Platform 

Dando continuidade ao marco anunciado recentemente sobre a transferência de mais de 50 Terabytes de dados do US Data Facility (SLAC/EUA), o LIneA atinge mais uma etapa fundamental: os dados do Early Data Preview 2 (EDP2), do Observatório Vera C. Rubin, já estão oficialmente disponíveis para acesso por meio do IDAC-BR (Independent Data Access Center do Brasil). A liberação atende pesquisadores e estudantes com direito de acesso (data right holders) de todo o mundo, um grupo que atualmente inclui ~200 brasileiros.

A liberação é resultado de um intenso esforço realizado pelo LIneA, responsável pela implantação e operação do IDAC-BR, permitindo que a comunidade astronômica nacional acesse e analise os dados do EDP2 diretamente em uma infraestrutura local, via LIneA Science Platform.

A disponibilidade desses dados reflete mais do que um avanço técnico; trata-se de uma conquista estratégica para a ciência do país. Ao sediar um IDAC, o Brasil posiciona sua comunidade científica na vanguarda da e-Ciência global e do Big Data. A infraestrutura desenvolvida pelo LIneA garante que pesquisadores e estudantes filiados não precisem depender de servidores internacionais para realizar sua pesquisa, oferecendo processamentos de alto desempenho onde os dados estão armazenados.

O Brasil passa a sediar, em sua própria infraestrutura, dados sobre cerca de 790 milhões de objetos numa área de céu equivalente a cerca de 15 mil luas cheias. São objetos que chegam a ser de 5 a 200 milhões de vezes mais fracos do que aquilo que o olho humano consegue enxergar. Os mais de 50 TB correspondem à primeira etapa da liberação, o EDP2, que já inclui as imagens em diferentes comprimentos de onda e o catálogo com as propriedades dos objetos detectados nas imagens obtidas pela poderosa câmera com 3,2 bilhões de pixels (figura 1).

Figura 1 – A figura mostra uma composição colorida da região do céu observada em coordenadas equatoriais. A região mais alaranjada representa uma parte do plano galáctico.

Com esse material, pesquisadores e estudantes brasileiros podem começar a estudar, nesta fatia do céu, a distribuição de galáxias, mapear a Via Láctea, identificar asteroides e analisar registros de estrelas e explosões cuja luminosidade variou ao longo das observações. Os dados foram obtidos em Cerro Pachón, no Chile, mas podem ser analisados no Brasil, em uma plataforma que reúne os dados e os recursos de computação necessários para estudá-los num mesmo ambiente. Este conjunto prepara a comunidade brasileira para a rotina científica que o levantamento completo vai exigir na próxima década.

O acesso aos dados do EDP2 está liberado no LIneA Science Platform (figura 2) para os membros do BPG-LSST que possuem acesso prévio válido. A plataforma permite que a análise seja feita no próprio ambiente onde os dados estão armazenados, sem que pesquisadores e estudantes precisem depender de servidores internacionais nem de movimentar dados para trabalhar com esse grande volume de informações.

Figura 2 – Página principal do LIneA Science Platform que dá acesso às várias ferramentas de visualização e análise.

O LIneA é um instituto de ciência e tecnologia privado cuja missão é viabilizar a participação de pesquisadores e estudantes em colaborações internacionais, apoiar centros emergentes, fornecer acesso a acervos de dados astronômicos e a uma infraestrutura de processamento intensivo de dados, e desenvolver soluções para problemas de big data nas áreas de astronomia e cosmologia. Atualmente as atividades do LIneA são apoiadas pela FINEP e pelo INCT do e-Universo.