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Diretor do LIneA é entrevistado pelo O Globo

2 de janeiro de 2026

O QUE ESTAMOS FAZENDO AO DIGITALIZAR O CÉU VAI ALÉM DA ASTRONOMIA

A frase de Luiz Nicolaci, diretor do LIneA, sintetiza o papel estratégico do Brasil na fronteira da ciência mundial. Em entrevista ao GLOBO, o astrônomo detalha como o país participa do projeto LSST, que opera a maior câmera digital do mundo para mapear o universo. Mais do que observar estrelas, a participação brasileira foca no futuro do século XXI: o Big Data. Com imagens de 6 gigabytes geradas a cada 15 segundos, o Brasil vai utilizar inteligência artificial e supercomputadores para processar volumes massivos de informação, garantindo a tecnologia necessária para o desenvolvimento de soluções que podem ser aplicadas em áreas que vão da segurança à gestão de dados complexos.

Ao contrário de modelos tradicionais, o Brasil não está apenas “alugando” tempo de telescópio, mas construindo uma infraestrutura própria de processamento que coloca nossos pesquisadores em colaboração direta com instituições importantes, como Harvard e Princeton. Nicolaci destaca que essa iniciativa insere o país no primeiro escalão da ciência, treinando talentos brasileiros em um ambiente de altíssima competitividade. No entanto, o projeto enfrenta um desafio crítico: a necessidade de investimentos contínuos para manter sua equipe de especialistas. É um lembrete de que, para o Brasil continuar na elite tecnológica e entender os mistérios do cosmos, a ciência precisa ser tratada como um projeto de Estado, e não apenas como curiosidade acadêmica.

O LIneA é um instituto de ciência e tecnologia privado cuja missão é viabilizar a participação de pesquisadores e estudantes em colaborações internacionais, apoiar centros emergentes, fornecer acesso a acervos de dados astronômicos e a uma infraestrutura de processamento intensivo de dados, e desenvolver soluções para problemas de big data nas áreas de astronomia e cosmologia. Atualmente as atividades do LIneA são apoiadas pela FINEP e pelo INCT do e-Universo.