Acesse o comunicado oficial:
https://rubinobservatory.org/news/rubin-first-dwarf-planet-candidate
O Observatório Vera C. Rubin (NSF–DOE) anunciou a identificação de 2026 ED138, um objeto transnetuniano (TNO, do inglês trans-Neptunian object: corpo que orbita o Sol além da órbita de Netuno) ainda mais distante que Plutão, classificado como candidato a planeta anão. A descoberta foi comunicada pelo Minor Planet Center da União Astronômica Internacional (IAU) e apresentada na 58ª reunião da Division for Planetary Sciences (DPS), nos EUA.
ED138 está a cerca de 46 unidades astronômicas (ua) do Sol. Estimativas preliminares, com base em brilho, distância e albedo, apontam diâmetro entre 600 e 1.500 km. Observações no infravermelho e/ou ocultações estelares ainda serão necessárias para confirmar se o objeto atende aos critérios de planeta anão; se confirmado, entraria no grupo da IAU que hoje inclui Ceres (objeto do Cinturão de Asteroides) e Plutão, Haumea, Makemake e Eris (objetos além da órbita de Netuno).

O ED138 foi encontrado por Matthew Holman (Center for Astrophysics | Harvard & Smithsonian), membro da equipe de Operações do Rubin e colaborador in-Kind, que atua no aprimoramento dos algoritmos do observatório voltados à busca por objetos em movimento distantes no nosso Sistema Solar. Sua distância do Sol o situa além da órbita de Plutão, e análises iniciais indicam que ele pode estar entre os maiores e mais brilhantes corpos que os cientistas já descobriram nessa região do Sistema Solar.
Credit: NSF–DOE Vera C. Rubin Observatory/NOIRLab/SLAC/AURA Acknowledgement: Image Processing: M. Jurić (UW), D. de Martin & M. Zamani (NSF NOIRLab)
Como o objeto foi encontrado
A detecção saiu de dados do Legacy Survey of Space and Time (LSST). Matthew Holman (Harvard & Smithsonian) identificou ED138 ao processar bilhões de detecções de objetos em movimento; Mario Jurić (University of Washington), cientista-líder de Sistema Solar do Rubin, recuperou outras 20 observações nos catálogos. No total, o telescópio registrou o objeto 30 vezes em 20 noites entre março e julho de 2026; imagens de arquivo da DECam (CTIO/NOIRLab) estendem a órbita a mais de dez anos.
A órbita está inclinada cerca de 25° em relação ao plano do Sistema Solar (sendo classificado, do ponto de vista dinâmico, como um TNO “clássico quente”). O objeto tinha o plano da Via Láctea como fundo estelar, região densa em estrelas, onde buscas anteriores costumam falhar; a cadência, a profundidade e os algoritmos do Rubin tornaram a detecção possível.
Por que importa para o Brasil e para o LIneA
O anúncio reforça o potencial científico do LSST já nas primeiras fases de operação: antes do início formal do levantamento, a equipe de Sistema Solar do Rubin havia submetido ao Minor Planet Center observações de mais de 11 mil novos asteroides, incluindo cerca de 380 novos TNOs. ED138 amplia esse inventário e figura entre os maiores objetos já encontrados nessa região.
O LIneA hospeda e opera o IDAC-BR (Independent Data Access Center do Brasil), a infraestrutura nacional que recebe e disponibiliza dados do Observatório Vera C. Rubin. Assim, produtos associados a descobertas como ED138 estão acessíveis no Brasil, pelo LIneA Science Platform, a pesquisadores e estudantes com direito de acesso (data right holders). O LIneA opera um espelho do Minor Planet Center (MPC) que garante à comunidade brasileira acesso local e imediato aos catálogos mais recentes, inclusive aos alimentados diariamente pelo LSST, e permite consultar e cruzar dados orbitais sem depender da infraestrutura no exterior. O LIneA também mantém ferramentas voltadas ao Sistema Solar, entre elas o Portal do Sistema Solar, alinhadas a essa frente de ciência com dados do LSST.
O público geral pode visualizar a trajetória de ED138 em 3D no Orbitviewer do Rubin. O LIneA segue acompanhando os desdobramentos do LSST e apoiando a comunidade nacional no acesso e na exploração dos dados do Observatório Vera C. Rubin.
O ED138 foi encontrado por Matthew Holman (Center for Astrophysics | Harvard & Smithsonian), membro da equipe de Operações do Rubin e colaborador in-Kind, que atua no aprimoramento dos algoritmos do observatório voltados à busca por objetos em movimento distantes no nosso Sistema Solar. Sua distância do Sol o situa além da órbita de Plutão, e análises iniciais indicam que ele pode estar entre os maiores e mais brilhantes corpos que os cientistas já descobriram nessa região do Sistema Solar.
Credit: NSF–DOE Vera C. Rubin Observatory/NOIRLab/SLAC/AURA/M. Jurić
O LIneA é um instituto de ciência e tecnologia privado cuja missão é viabilizar a participação de pesquisadores e estudantes em colaborações internacionais, apoiar centros emergentes, fornecer acesso a acervos de dados astronômicos e a uma infraestrutura de processamento intensivo de dados, e desenvolver soluções para problemas de big data nas áreas de astronomia e cosmologia. Atualmente as atividades do LIneA são apoiadas pela FINEP e pelo INCT do e-Universo.




